Estamos em ano de eleições no Brasil e o assunto fica pungente em minha mente: Quais são os limites entre religião e política?
Roma
Os ocidentais têm a herança divino-política na história dos imperadores Romanos. Deo invicto, Divus Iulius, Divi filius, são alguns dos títulos que os comandantes do império usavam a fim de divulgar sua divindade e oferecer ao povo em um único ser o político e o religioso, com o desejo de receber adoração, respeito e obediência.
Diferente é a situação na época da Roma papal. Seus reis não eram mais considerados divinos, no lugar disso, eram muito influenciados pelos Papas, de tal forma que em muitos casos, esses reis eram depostos e outros escolhidos pela força da igreja sobre as monarquias existentes na Europa. Ver referência 6.
Segundo Paul Freston (ver referência 2) existe três possíveis modelos de atuação da igreja com relação à política, vejamos dois deles:
Modelo institucional.
Trata de um modelo de defesa de interesses denominacionais, o que torna seus líderes e seguidores vulneráveis as contingências do mundo político. Esse modelo tem um grande ponto fraco: Se a política implantada falha, todos os outros assuntos tratados pela instituição tendem a ser vistos sem crédito.
Modelo autogerado.
Onde um indivíduo que possui projeção no meio político faz apelo aos cristãos para votarem nele, usando até o argumento que é evangélico, mas quando eleito, nem sempre se vê obrigado a usar a ética cristã ao exercer suas funções administrativas.
Apesar de vivermos em um país oficialmente laico (logo, não relacionado oficialmente a qualquer religião), algumas denominações cristãs defendem o uso da política com objetivos questionáveis, como aumentar e fortalecer seu universo de influência. De modo semelhante, políticos "profissionais" pretendem aproximação com tais denominações a fim de obter simpatia dos fiéis, e por fim, muitos votos. Esse fenômeno tem crescido de modo exponencial nos últimos 20 anos no Brasil.
A verdadeira política é aquela que se demonstra altruísta e serve para administrar o estado visando o bem comum.
De modo diverso está a religião. A palavra religião tem como base a palavra latim religare, ou seja, religar o indivíduo com Deus, e apesar do apreço pela ordem e bem estar social, tem por principio preparar o indivíduo para encontrar um dia com Deus.
O voto é importante como fator de transformação social e econômica, e devemos escolher o candidato que entender ser o melhor para o país.
A Bíblia sagrada registra a seguinte passagem: "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo..." (João 18:36).
Os contemporâneos de Jesus não entenderam completamente o que ele queria dizer e tentaram em algumas ocasiões proclamar-lhe rei, e em todas às vezes esquivou-se de tal honraria humana, deixando claro que o papel do líder espiritual e do político deveria ser vistos e tratados de forma independente.
É possível e aceitável que pessoas possam ser inspiradas por sua fé religiosa para ser um militante político, ou seja, exercer uma política confessional. Não compartilho, porém, da crença em um estado confessional, por ferir os princípios do estado laico e abrir precedentes de perseguições para as minorias religiosas não eleitas, de tal modo a fortalecer uma religião em detrimento de outras.
“Dai pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus é o que é de Deus” (Mat. 22:21).
Referências:
- Bíblia sagrada.
- FRESTON, Paul. Religão e política, sim; igreja e estado, não: os evangélicos e a participação política. 1. ed. Viçosa, MG: Ultimato, 2006.
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