quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quando a água e o óleo se misturam

Estamos em ano de eleições no Brasil e o assunto fica pungente em minha mente: Quais são os limites entre religião e política?
Roma
Os ocidentais têm a herança divino-política na história dos imperadores Romanos. Deo invicto, Divus Iulius, Divi filius, são alguns dos títulos que os comandantes do império usavam a fim de divulgar sua divindade e oferecer ao povo em um único ser o político e o religioso, com o desejo de receber adoração, respeito e obediência.
Diferente é a situação na época da Roma papal. Seus reis não eram mais considerados divinos, no lugar disso, eram muito influenciados pelos Papas, de tal forma que em muitos casos, esses reis eram depostos e outros escolhidos pela força da igreja sobre as monarquias existentes na Europa. Ver referência 6.
Segundo Paul Freston (ver referência 2) existe três possíveis modelos de atuação da igreja com relação à política, vejamos dois deles:
Modelo institucional.
Trata de um modelo de defesa de interesses denominacionais, o que torna seus líderes e seguidores vulneráveis as contingências do mundo político. Esse modelo tem um grande ponto fraco: Se a política implantada falha, todos os outros assuntos tratados pela instituição tendem a ser vistos sem crédito.
Modelo autogerado.
Onde um indivíduo que possui projeção no meio político faz apelo aos cristãos para votarem nele, usando até o argumento que é evangélico, mas quando eleito, nem sempre se vê obrigado a usar a ética cristã ao exercer suas funções administrativas.
Apesar de vivermos em um país oficialmente laico (logo, não relacionado oficialmente a qualquer religião), algumas denominações cristãs defendem o uso da política com objetivos questionáveis, como aumentar e fortalecer seu universo de influência. De modo semelhante, políticos "profissionais" pretendem aproximação com tais denominações a fim de obter simpatia dos fiéis, e por fim, muitos votos. Esse fenômeno tem crescido de modo exponencial nos últimos 20 anos no Brasil.
A verdadeira política é aquela que se demonstra altruísta e serve para administrar o estado visando o bem comum.
De modo diverso está a religião. A palavra religião tem como base a palavra latim religare, ou seja, religar o indivíduo com Deus, e apesar do apreço pela ordem e bem estar social, tem por principio preparar o indivíduo para encontrar um dia com Deus.
O voto é importante como fator de transformação social e econômica, e devemos escolher o candidato que entender ser o melhor para o país.
A Bíblia sagrada registra a seguinte passagem: "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo..." (João 18:36).
Os contemporâneos de Jesus não entenderam completamente o que ele queria dizer e tentaram em algumas ocasiões proclamar-lhe rei, e em todas às vezes esquivou-se de tal honraria humana, deixando claro que o papel do líder espiritual e do político deveria ser vistos e tratados de forma independente.
É possível e aceitável que pessoas possam ser inspiradas por sua fé religiosa para ser um militante político, ou seja, exercer uma política confessional. Não compartilho, porém, da crença em um estado confessional, por ferir os princípios do estado laico e abrir precedentes de perseguições para as minorias religiosas não eleitas, de tal modo a fortalecer uma religião em detrimento de outras.
“Dai pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus é o que é de Deus” (Mat. 22:21).
Referências:
  1. Bíblia sagrada.
  2. FRESTON, Paul. Religão e política, sim; igreja e estado, não: os evangélicos e a participação política. 1. ed. Viçosa, MG: Ultimato, 2006.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Haiti e a solidariedade





O lema do Haiti reza o seguinte: “L’Union fait La force”(“A união faz a força”).
Talvez por isso no século XVIII o Haiti era considerada a colônia mais prospera do mundo.
Olhando novamente para o presente, vemos um país praticamente esfacelado pelas ultimas guerras civis e os governos totalitaristas que marcaram sua história.
Apenas em 2004 a situação desesperadora do Haiti dava sinais de mudanças. Considerando que o Haiti ainda constituia ameaça para a paz internacional e a segurança na região, o Conselho de Segurança da ONU decidiu estabelecer a Missão para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), que assumiu a autoridade em 1 de Junho de 2004. Para o comando do componente militar da MINUSTAH (Force Commander) foi designado o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro para comandar a missão de paz com objetivo de combater os grupos paramilitares e estabelecer a ordem no país.
O objetivo da ONU era dar uma plataforma segura para os estadistas poderem começar um plano de desenvolvimento da região, e como a força de paz conseguiu alcançar seus objetivos, a historia no pais poderia começar a ser escrita de maneira diferente.
O Haiti é um país com pouca infra-estrutura, onde 45,2% da população é analfabeta e vivem essencialmente de atividades agrícolas.
Exatamente um mês antes de esse texto ser redigido, o Haiti novamente estava entrando em colapso e todos os planos para um futuro melhor para aquela nação teriam que recomeçar da estaca zero.
No dia 12/01/2010 às 16h53 do horário local (19h53 no horário de Brasília), um terremoto atinge a capital do país, Porto Príncipe, com a intensidade de 7,3 graus na escala de Ritcher. Para efeito de comparação, o poder de destruição de um terremoto dessa magnitude equivale a 30 bombas atômicas como as que foram lançadas em Hiroshima no Japão no ano de 1945.
[3]O Maior terremoto já registrado nos últimos 200 anos no Haiti é uma tragédia que dizimou quase tantas pessoas quanto o Tsunami de 2004.
Aproximadamente 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou ficaram com danos estruturais. Cerca de 220 mil vidas foram perdidas nesse hecatombe natural e 1,2 milhão de desabrigados. E esse número pode ser bem maior, já que oficialmente não existe a contagem dos corpos. Entre os mortos podemos contar a Doutora Zilda Arns, que criou a pastoral da criança no Brasil e foi indicado ao prêmio Nobel, também o diplomata Brasileiro Luiz Carlos da Costa, segundo no comando da ONU na missão de paz do Haiti.
[5] Pelo menos 552 Adventistas morreram e 55 igrejas foram destruídas, alem de colégios e escolas.

A situação considerada como calamidade, poderia ter sido pior, caso as muitas entidades de ajuda humanitária não tivessem agido de forma muito rápida para ajudar a cremar ou enterrar os mortos, já que, expostos no meio ambiente, a decomposição dos cadáveres poderiam espalhar doenças e pestes.
Uma das entidades mais atuantes na ajuda das vitimas do terremoto do Haiti é a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais, também conhecida como ADRA [8].
A primeira providencia da ADRA foi o estabelecimento de um sistema para purificação da água, a providencia de alimentos, medicamentos e transportes de equipes médicas para socorro de vítimas. A igreja Adventista da América do Norte já recolheu um milhão de dólares para apoiar esse trabalho.
Outra frente de trabalho para socorro das vítimas ocorreu com o uso do hospital Adventista, um dos poucos centros médicos que ficaram intactos após os tremores, para atendimento de urgência e emergências.
Segundo o canal americano de noticiais “Fox News”, a organização da Igreja Adventista no Haiti procurou “fazer face a todos os que procuram refúgio junto das suas instalações, oferecendo pelo menos uma refeição diária”. [7]
Em todos os prédios das Igrejas, escolas ou faculdade Adventista, milhares de pessoas se refugiaram durante a noite ou procuraram assistência e orientação durante o dia.
Mas o pior ainda não passou. A probabilidade de que um ou vários furacões mais fortes atinjam a região do Caribe neste ano é muito maior do que em anos anteriores, advertem os meteorologistas americanos, ressaltando a vulnerabilidade do Haiti.A temporada de furacões, que dura de 1º de junho a 30 de novembro, "será mais intensa do que o normal", explicou William Gray, da Universidade do Colorado (oeste dos Estados Unidos).
Antes dos furacões, os Haitianos ainda vão enfrentar mais um desafio: a estação das chuvas. "O pior está diante de nós no Haiti", disse o presidente da Cruz Vermelha Francesa (CRF) Jean-François Mattei, afirmando que um "segundo drama se aproxima" com a chegada da temporada de chuvas em seis semanas podem ocorrer precipitações torrenciais, inundações e deslizamentos de terra, o que poderia proliferar varias doenças como a malária ou a febre tifóide, dizimando muitos dos sobreviventes que já não tem moradia nem condição mínima de higiene, além de estarem sofrendo com a falta de comida e água potável.
Diante de tal quadro, aqui no Brasil temos o dever como Cristãos de orar por essas vítimas e procurar ajudar através dos canais disponibilizados pela igreja.
Na Bíblia podemos ler em Isaias capitulo 58:6 -8, “Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda”.
Você pode ajudar acessando o site da ADRA internacional [9] ou através do seu envelope de Dizimo e ofertas, colocando no campo “Outras” o seguinte: SOS Haiti/Adra e doando o valor desejado.
No dia 8 de fevereiro foi anunciado que 27 dias depois do terremoto, foi encontrado em meio aos escombros, com vida, Evan Muncie, um homem de 28 anos. Só um milagre poderia ter salvo a vida dessa pessoa. Deus também espera que participemos do milagre de salvar vidas no Haiti. Somente assim a união pode fazer a força.



(Gilberto Tadday, Veja)Centro do Haiti.



Foto: Globonews


8 - http://www.adra.org/site/PageNavigator/work/what/responding_to_emergencies/need_appeal_feb10_haiti

sábado, 2 de maio de 2009

O Trabalho é uma maldição?

Algumas pessoas entendem que o trabalho poderia ser uma maldição dada por Deus ao homem pela desobediência no jardim do Éden pela seguinte declaração Bíblica: “...maltida é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida.” Gen. 3:17.

Essa posição não pode ser sustenta, pois após criar o homem, Deus confiou a ele o jardim para “lavrar e o guardar”. Essa era uma ocupação agradável e revigoradora, uma benção, pois lhe ocupava o espírito e fortalecia o corpo, ajudando então a desenvolver suas faculdades recém adquiridas.
Portanto, o trabalho já existia mesmo antes de existir uma maldição.

No entanto, após o pecado, o trabalho não seria mais uma felicidade e prazer perfeito para Adão, e sim uma labuta cansativa e cheia de ansiedade, pois agora estaria sujeito aos desapontamentos, pesares, dores e finalmente a morte, causada pela degradação imposto pelo pecado.
Porém, esse mesmo pesar serve como disciplina e misericórdia de Deus para que o ser humano após verificar o resultado do pecado, não se acostume em fazer o que não é correto, entregando-se à satisfação de apetite e paixões, mas que consiga o desenvolvimento de hábitos de domínio próprio, tendo em mente os resultados da rebelião contra a lei de Deus.

Bom conselho é “...cada um coma o pão do seu próprio trabalho.” II Tes.3:12


Publicada no boletim da Igreja Adventista do Campo Limpo na seção Ponto de Vista. Dísponivel em: http://www.igrejadocampolimpo.com.br

sábado, 28 de março de 2009

"Deixai vir a mim os pequeninos..."

Você já parou para pensar que pode estar fazendo exatamente o contrário?
Ao deixar de ensinar todos os dias a palavra de Deus, estudar a lição e incentivar seu filho a comparecer pontualmente à escola sabatina, estará prejudicando de forma decisiva o desenvolvimento espiritual dele com consequências eternas.
É importante ouvir o conselho “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”.

O caráter da criança estará desenvolvido até os sete anos de idade. Até lá é oportuno lhes incutir princípios eternos.
Não deixe passar a oportunidade de educar cidadãos candidatos ao reino dos Céus e futuros líderes da igreja.
Não imagine que apenas deixar o filho freqüentar a igreja vai fazer dele uma pessoa espiritual e muito menos que aprenderá a ser educado e obediente.
A Educação parte de casa, a igreja apenas irá complementar seu esforço.

Estudo diligente da palavra de Deus, recapitulação diária da lição da escola sabatina e culto familiar são os meios indicados para cuidar com dignidade da herança que nos foi confiada.

Oremos para que o Senhor dê sabedoria não somente aos pais, mas a todas as pessoas que esses pequenos tenham contato, de modo que possam ser cheios de vida, exemplos de cristãos e pessoas de caráter.

O ministério da criança convida você que tem um carinho especial por essas jóias de Deus.
Entre em contato com a nossa direção. Procure por Márcia Guimarães, Vera Cardozo, Claudio Guimarães ou Willian Mota e diga como pretende ajudar.


Publicada no boletim da Igreja Adventista do Campo Limpo na seção Ponto de Vista. Dísponivel em: http://www.igrejadocampolimpo.com.br/